Das bonitas

True Colors, de Dove e It Gets Better, ou Beautiful, de Glee Cast

No post anterior, engatei a marcha do discurso acalorado em prol das curvas e segui a mais de 200 km/h com falha nos freios, cansada que estava do padrão de beleza imposto constante e exaustivamente a nós, mulheres mundanas, que damos conta do furacão de coisas, pessoas, TPM e sensações que assola nossa rotina, sem que pareçamos recém-saídas de alguma capa de Photoshop revista.

No entanto, estive refletindo, agora numa marcha que me permita aproveitar a brisa gostosa da reflexão, e acho fundamental ir além. Quebrar esses paradigmas amalucados da mídia é bem mais do que ser plus size, fugir das próteses de silicone ou não ter olhos cristalinos: ir contra é fazer as pazes consigo mesma e votar a seu favor. Ironia pura.

Felizmente, as marcas estão despertando, ainda que vagarosas e com aquela preguiça típica dos Domingos, para este fato. Um exemplo muito próximo, do qual sou confessada fã e entusiasta, é a “Campanha Pela Real Beleza” de Dove.

Achei de uma genialidade sem fim uma marca de comésticos lançar um movimento em prol da autoestima feminina, incentivando as mulheres a se aceitarem da forma que são. Mais genial ainda foi não limitar-se à superficialidade, indo bem além de uma simples campanha publicitária: o movimento é real e desenvolve ações de valorização da mulher no mundo todo, além de um portal onde é possível se informar melhor sobre o movimento, tudo que está sendo feito, expressar sua opinião e muito mais. O do Brasil está temporariamente fora, mas o endereço é: www.campanhapelarealbeleza.com.br. Dentre as milhares de coisas legais que é possível encontrar lá, uma delas é esse vídeo:

Nem nos damos conta do quão bombardeadas somos diariamente, visto que os “ataques” se dão, muitas vezes, de forma extremamente sutil ou corriqueira. Por estarmos acostumadas e pela comum falta de percepção, esquecemos que as crianças também são submetidas a estes apelos, e é aí que tudo se complica: que preparo psicológico elas possuem para se defender, quando estão na fase da constante (a)provação social, em que ser aceito é fundamental? É quando elas mais precisam de diálogo, acompanhamento, carinho, zelo. E novamente temos Dove, que se oferece para ajudar mães/responsáveis nessa tarefa e faz com que todos reflitamos a respeito, como nos vídeos (dificílimos de selecionar, porque são muitos  e todos muito bons) abaixo:

(Para mim, o melhor. Garotas diferentes entre si, únicas, passando uma importantíssima mensagem de forma tão linda, sutil e intensa ao mesmo tempo. E a trilha sonora, claro, que não posso ignorar, porque adoro a música 😛 Quem gostar também e quiser procurar, é “Dog Days Are Over”, de Florence + The Machine)

Poderia bater o recorde de maior post da história somente falando de Dove, mas é preciso mostrar outras iniciativas tomadas mundo afora que igualmente merecem destaque. A primeira delas é da modelo-apresentadora-empresária-e-não-sei-mais-o-quê inglesa Katie Price, também conhecida como Jordan, que lançou uma linha de lingerie para todos os tipos de mulher. Pouco me importa se, por trás disso, sua intenção foi tão-somente aparecer, causar polêmica: acredito ter sido um enorme passo mostrar que toda mulher pode se sentir sexy e surpreender sem ter que parecer enfaixada ou desvalorizar o formato de seu corpo, indepente de qual seja ele.

A marca Bravissimo, igualmente britânica e que dedica-se a atender mulheres que buscam tamanhos maiores, foi brilhante em sua estratégia de marketing ao realizar campanhas publicitárias com consumidoras reais convidadas. Veja o resultado:

 (Achei um post bem bacana falando mais a respeito e mostrando uma iniciativa brasileira superinteressante, ainda que em menor escala. Clica aqui ó: http://www.clubedacalcinha.com.br/blog/?p=92)

Outras três iniciativas que merecem palmas vieram, surpreendentemente, de publicações femininas internacionais de grande renome: as americanas Glamour e Harper’s Bazaar, e a edição francesa da Elle.

A primeira fez uso de uma modelo curvilínea, autêntica, sem retoques digitais. Lizzie Miller, então com 20 anos, apareceu sorrindo, totalmente linda e espontânea, o que agradou e muito as leitoras da Glamour, que se manifestaram através de avalanches de cartas rasgando elogios. (O site da ISTOÉ tem um artigo a respeito, vale muito a pena  lê-lo por completo: http://www.istoe.com.br/reportagens/17369_A+BELEZA+COMO+ELA+E)

A Elle produziu um editorial com beldades totalmente sem maquiagem ou retoques digitais, fórmula de sucesso repetida depois pela Harper’s (Cabe aqui ressaltar que a Elle francesa já inovou, provocou , causou polêmica e deu exemplo em sua capa, uilizando modelos plus size, obesas e celebridades sem maquiagem apesar em outros momentos). Os resultados são incríveis e geniais no que diz respeito a aproximar o público feminino, conquistá-lo e tirar aquela aura de “perfeito” e “inatingível” que cerca estas belas mulheres.



Com os exemplos aqui elucidados e tantos outros por aí espalhados, que precisei deixar de fora com certa dor confessada no coração, gostaria de reformular meu manifesto anterior: Mulher, ame-se!

 Tenha cabelos da cor do sol, da madeira, do fogo, de uma das sete do arco-íris ou de todas elas. Tenha olhos da cor do mar do Caribe, de jabuticabas, de mogno ou da Amazônia. Seja negra como a noite, clara como uma manhã de sol de domingo, morena da cor do verão ou branca da cor da neve que cai. Seja 34, 40 ou 52, PP, M ou XG. Use muita maquiagem, use pouca, não use.

Essa é a vida: é real, tem cor, tem música, tem sabor e dispensa o Photoshop.  Passamos tanto tempo em frente ao espelho colecionando imperfeições em cada milímetro de nós que acabamos por deixar a vida escorrer por entre nossos dedos.

Por isso, relanço meu manifesto: Que venha o amor próprio! Que o “ser” supere o “ter” e o “parecer”, e que assumamos rindo (e até com uma pitada de pimenta para temperar o momento) para nós, Deus, a mídia e o mundo a delícia, a dor e a loucura de ser quem somos, desse jeitinho mesmo, sem nem por e muito menos tirar. Porque, cá entre nós: o mundo só vai ficar mais bonito com amor, sorriso e gente sincera, e não truques de computador.

PS. Disponibilizo aqui alguns links interessantes que encontrei durante minha empreitada por este post. Em muitos deles há exemplos do que eu tive que deixar de fora desse post. Dá uma olhadinha:
http://www.tanavitrinetanacea.com.br/wordpress/?p=1096
http://blig.ig.com.br/fifties/2009/07/01/sem-retoques/
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI79086-15228-1,00-ISABELI+RAQUEL+RAICA+E+OUTRAS+BELAS+FOTOGRAFAM+SEM+RETOQUE.html
http://mulherbonitamoda.wordpress.com/2010/06/27/campanha-pela-real-beleza/
http://rpnamoda.wordpress.com/2010/09/09/finalmente-um-case-de-sucesso-na-comunicacao-de-moda/
http://www.modaminas.com/site/materias_det.asp?id=1286&c=1
http://www.mariavitrine.com.br/2010/04/louis-vuitton-mostra-top-models-sem.html#more
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2 opiniões sobre “Das bonitas

  1. Pingback: Das bonitas « Blog Vale | Blogosfera do Vale do Paraíba

  2. escrever, mudar, transformar, pular, destilar, mudar de estilo, sonhar, gritar, exaurir, entreter, provocar, amar e ser amada…
    com q força vc muda de tons e se joga sem medo de ser incompreendida…
    feminista? não creio..anarquista? receio rs
    parabens….

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