Bio Grafada

Mumford & Sons – Little Lion Man

Olha, vem cá. Senta aqui que a gente precisa conversar um minuto. Aliás, um minuto não, mas uma boa dose deles. Então se ajeita aí, fica bem confortável e prepara o ouvido, a saliva, a mente, a língua, o fôlego. Pode preparar até os fios de cabelo se quiser, você é quem sabe, mas esteja aqui de corpo, alma, sorriso e cheiro enquanto eu sentir que preciso disso tudo.

Sou chata. Pois é, sou mesmo. Meu humor não é pululante, cor-de-rosa ou cheio de cristais Swarowski. Tampouco habita a terra dos diminutivos e agudos descontrolados ou é movido a “muito-axé-carnaval-e-alegria-beijo-Brasil”.

Os astros se entreolharam apreensivos quando, às 20h47, deram pela falta de normalidade em seu estoque. Talvez isso explique o fato de você não me ver tendo paciência com o ruído extravagante do ego feminino ou o poder do silêncio dissimulado de um veneno Summer Peach.  Pode também te ajudar a entender minha total falta de tesão em sair requebrando etiquetas por aí, minha atitude blasé ao receber convites para lugares em que a música martela, os copos são cheios e os corações, desertos, ou meu dar de ombros para festas na piscina de Barbies platinadas. I’m a weirdo.

Vivo num rascunho oscilante entre Mulher-Maravilha e mocinha da novela das 8. Meus ares de autossuficiência e independente reviram os olhos quando se dão conta da chegada sorrateira de uma história do “amor-que-ultrapassa-todas-as-barreiras” ou do sorrisinho de canto que sucede aquele apanhado de palavras de chocolate embaladas numa voz rouca em tom de sussurro. Sinceramente, se você soubesse o quão pra caramba esse negócio de andar feito adolescente apaixonadinha por aí é chato e irc, nem respirava o mesmo ar que eu.

Sou mais de uma coisa ao mesmo tempo, mas sempre sou eu. Me contradigo, mudo de ideia, desvio no último milésimo, reinvento, metamorfoseio, mas sou sempre eu ali. Entendeu? É, eu sei que é difícil, mas que que eu posso fazer se, pra mim e pra Clarice, me entender não seja uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato…?

Sou impermeável a várias coisas. Aguento febre, reclamação da vida, mau-humor de segunda de manhã, carência de domingo à noite e mais um monte de cascalho que entrar no seu sapato no caminho de casa. Mas não me venha com indiferença, desprezo, mentira ou decepção: a alma inteira quebra e não há Super Bonder ou promessa de subir o Pelourinho de joelhos que dê jeito.

Ó, não quero te assustar, mas isso é só o trailer meu amigo. Ainda tem muita TPM, dia de chuva, brigadeiro de panela e 100 metros nada rasos com uma porção de obstáculos. Agora você decide aí se vai atrás do olho do furacão, pede ajuda pras cartas, joga no par ou ímpar ou pernas-pra-que-te-quero. Pode levar o tempo que quiser pra chegar num acordo, desde que seja depressa, porque a urgência em reformar aquele canto empoeirado só faz aumentar e meu coração anda de uma impaciência e  teimosia que só vendo.

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2 opiniões sobre “Bio Grafada

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