Traço Livre

 Independência – Capital Inicial

Tenho pensado sobre liberdade esses dias. “Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda…”, como bem disse nossa Cecília. No entanto, até que ponto temos colocado em prática este conceito tão difundido e sentido com urgência por nós?

A internet é tida como “terra de ninguém”. Sem leis ou regras específicas que desacelerem a instantaneidade com que tudo se alastra, nos vemos imunes a críticas ou censura com toda aquela história de “liberdade de expressão”, “espaço para troca de conteúdo e ideias” e “nós fazemos a internet”. Será?

O fato é que sinceridade incomoda. Todos querem, exigem, pedem, mas quantos aguentam? Por isso que expressar opinões verdadeiras de forma pública nem sempre é bem visto. Não me refiro àquelas de teor preconceituoso e ofensivo (apesar de também comporem essa tal de liberdade de expressão, que se há de fazer…), mas a coisas simples, como um desabafo, a manifestação da preferência por um dado estilo musical ou um comentário com alto teor de ironia. Quantas vezes você já presenciou pessoas que sofreram retaliações, ainda que de forma velada, por alguma das razões supracitadas?

Passando para as relações interpessoais, a coisa é ainda mais complexa e delicada: porque não há pseudônimo, teclado ou tela de computador que nos proteja da vida real. É quando nos deparamos com ignorância, pré-conceitos, desentendimentos, ruídos, interpretações e toda sorte de elementos que arruinam a comunicação entre os seres e, consequentemente,  seu direito de se expressar.

O machismo, muitas vezes, impede que uma mulher tome a iniciativa de manifestar interesse por um homem sem ser chamada “fácil”. O (falso) moralismo condena ironia, sarcasmo e platinada que rebola um pouco mais na propaganda de cerveja. A ignorância torna as pessoas cegas a ponto de defenderem com unhas vermelhas, dentes metálicos e hormônios furiosos um desconhecido que conquistou seus 15 minutos de fama.

O fato é que somos regidos pela tal “moral” que todos falam, mas quase ninguém faz. A moral é eletiva: funciona de acordo com o interesse da maioria. Aquela velha história da lei do mais forte. Sim, porque fazer salada de frutas de mulheres de vestidos cor-de-rosa dançando em festas regadas a excessos e Rebolation e cia. entre um plim-plim e outro, é aceitável. Há até quem pague por isso, veja só! Mas se opor ao governo publicamente, hastear a bandeira em prol de uma causa polêmica, ir às ruas por justiça, protestar contra o picadeiro que chamamos Senado, fazer uso da ironia em seus tweets, não gostar do cantor da franja lambida ou do indefinido de calça verde-limão, que ultraje! Heresia!

É Cássia, acho que o mundo continua ao contrário e ninguém reparou ainda… Mas a gente sonha, tenta, desafia, (im)pacienta, esbraveja, dá de ombros, debocha, entristece, espera. Quem sabe um dia a gente sente que pode, que fora feito pra libertar, essa palavra imensa, cheia de mistérios e dores. Certo Clarice?

“Quero aceitar minha liberdade sem pensar o que muitos acham: que existir é coisa de doido, caso de loucura. Existir não é lógico.”

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3 opiniões sobre “Traço Livre

  1. Pingback: Traço Livre « Blog Vale | Blogosfera do Vale do Paraíba

  2. “I am.
    I was not
    then I came to be
    I cannot remember not being.
    But I may have traveled far,
    very far,
    to get here”

    Be.

    Freedom is a word, with some social meaning. Freedom is another thing that we created to bear the burden of life.

    Just be.

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