Agridoce

“You Are the Only One I Love”, Jaymay

zola-once-upon-a-time

Não foi da primeira vez que te encontrei que já soube que um dia ia te conhecer melhor ainda. Naquele tempo, você não estava em meus planos porque eles sequer existiam. O que tinha era um bocado de desinteresse e outro tanto de descrença. E você era só passagem, só paisagem.

Você me olhou, eu nem vi. Tão entretida no descompromisso que estava, fui batendo ponto nos dias sem quase perceber quando você passava. Tudo parecia tão distante e absurdo naquela época, que cogitar qualquer remota possibilidade estava fora de cogitação. Sorte a nossa que o mundo gira feito pião desgovernado.

Um giro pra cá e outros tantos rodopios pra lá acabaram dificultando a tarefa de permanecer ilesa à vida ao redor. Mais ainda: tornou impossível ficar ilesa a você. Já não dava pra não sentir sua falta, pra não te esperar por perto todo dia, pra não querer sentir um pouco mais aquela mistura única de acidez e alcaçuz. Não deu, então deu.

Deu que seu desvio virou também meu, o ano não era mais só inverno e a vida começou a vir com gosto de limão siciliano com Nutella. Deu que não teve enjoo aquariano nem respira-fundo que derrubasse a vontade de cruzar o mundo a pé e de mãos dadas com você. Deu que hoje nos pertencemos, e vai ser assim até e além do dia em que nada mais tivermos.

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