Poeta de dia

“It’s a Fluke”, Tiago Iorc

Hoje acordei poeta. Abri os olhos, vesti meu verso triste, tomei meu café amargo e saí pro dia cinza e ácido. No meu caminho, os mesmos rostos desconhecidos de sempre. Milhares de pilotos automatizados, crias de uma única linha de produção cujo lema é “sucesso ou morte”. Não há questionamentos, bandeiras hasteadas ou desvios: somente sorrisos amarelos e olhos vidrados a 20 km/h.

Eu mesma sou um deles quando não estou aqui, na minha toca do coelho. Diversos nadas a fazer, um cérebro para não pensar, tarefas de areia a cumprir. Não posso esquecer de dar um jeito nesse desbotado que me colore pra que não digam que uma estranha, densa feito tempestade, veio cobrir o vazio que (não) deixei.

Hoje vou dormir poeta. Vou mastigar qualquer coisa sem tempero, assistir a algum dramalhão vazio, forçar alguns bocejos e deitar a cabeça num travesseiro de insônia. Vou tentar dormir enquanto meu cérebro repassa detalhes, texturas, gotas de mar e palavras ocas. Amanhã, quem sabe, acordo eu.

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